
De um que me escapou
setembro 13, 2010Se não fluem meus poemas
Deixo que fiquem
No baú angustiados
Inanimados
Mortos de medo
De exporem-se à luz
E me sinto plena de dor
De aprisioná-los em mim
E quero soltá-los
Mas são crianças
Pequenas e brandas
E tristes como flor dos dias cinzas
E corolas doentes
Das cabeças dementes
Que pensam
E pensam
E demoram-se a sentir.
Um conto bonito.
Com as páginas rasgadas.
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Depois que perdi meu caderno, com o último dos poemas que eu gostava, parece-me dolorido o passar dos dedos. Sinto a velhice nos meus escritos, a poeira que os envolve, e que pelo menos não lhes dá mais o ar infantil dos primeiros amores, aqueles que se perdem em seu próprio arrebatamento. Depois de esquecer que preciso escrever, e é algo que me consome, entendo que as rimas são os grandes venenos da poesia. Deixe que fiquem assim incertas, assim imperfeitas, que é de onde são belas como a irregularidade dos dias (e dos sentidos).
Querida, eu venho até aqui e é quase como reencontrar um brinquedo perdido. Eu já estava esquecendo a sensação de desfrutar das tuas palavras e do teu talento. Como assim, né?! Não sei porque(e nem adianta buscar na Psicologia…)nos distanciamos meio que dispersos de certas coisas que nos dão um prazer imenso. Mas enfim, há um enorme prazer em reencontrar brinquedos perdidos e, por favor, não me leve a mal na analogia, é porque ao terminar de ler tuas palavras eu apenas obtive um reconhecimento de quando eu andava mais por aqui, de fato que me senti uma criança reencontrando algo que ainda lhe é importante. Meu abraço.
Depois que perdi meu caderno, com o último dos poemas que eu gostava, parece-me dolorido o passar dos dedos.
ahh como conheço bem este sentimento, de pegar nas mãos a caneta amiga, mas nada sair, querer consultar os antigos trabalhos, abrir um novo caderno é como abrir um novo universo, cada letra é diferente das antigas.
mas teu txto esta lindo como sempre, como sempre é muito agradáve de ler