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Para não esquecer, para nem lembrar

setembro 21, 2010

Um pouco defasado, e tampouco resultou no que eu queria. Enfim, apenas apontamentos a compartilhar.

Sábado (4 de setembro) à noite tive uma fantástica conversa – e muitos desdobramentos, como convêm aos bons colóquios – sobre política. Aos finais de semana costumo sentar à mesa com meu pai e ali ficamos, por mais tempo do que inclusive eu deveria, debatendo ideias e, principalmente, divergências. Nesse sábado, no entanto, a companhia era outra. Não importa, posto que deliberar sobre o assunto sempre faz brilharem minhas pupilas como as de uma criança faceira. Mas à discussão política cabem peculiaridades quase protocolares que garantam o sucesso: que não haja extremismo, que não haja lugar comum, que não se defendam anacronismos. É só o diálogo, pura e simplesmente, sem prejuízo pessoal e, se possível, sem abuso de repetições.

E daí penso o quão fantástico seria se o mundo fosse mais adequado às ideias postas no papel. Não, jamais, nunca. O advento das instituições, sabe-se, já implica em corrupção. O nascimento é ruptura (e não é, mesmo fisiologicamente?). E a “corrupção brasileira”, dessa forma entificada, não é privilégio da nação. Assim como quem apenas critica, demonstrando que muitas vezes ocupa-se demasiadamente do pensamento/atitude alheios, somos mais ferozes com aquilo que está próximo, quer seja porque achamos que nossa opinião terá assim mais autoridade, quer seja porque é mais cômodo. No entanto, estar perigosamente próxima das casas políticas, que é o que eu faço há mais de dois anos, corrobora algumas opiniões. Há a violência, a hipocrisia, o cinismo. Não são apenas clichês, e são velhas verdades, afinal de contas. E se me estupram com sorrisos, eu estupro os meus próprios, na violência da política como a conhecemos, instituição forjada e predadora, parasitária de pessoas, comensal de outras, via única e triste. Fundamentalmente politiqueira.

Das pessoas que crêem que todo aquele que se envolve está inevitavelmente tomado pelos mesmos vermes, da lascívia contida nos olhares, donde julga-se prostituição mesmo na indiferença, dos desmandos dos que se consideram investidos de um poder que não pode ser profanado. Desde algum tempo, a politicagem já não me revolta. Agora sinto meus olhos secos, plenos de desesperança. A politicagem agora me amedronta e entristece. E quisera ainda indignação, quando acreditaria noutras possibilidades. Mas as ideias permanecerão sublimadas por lacunas. Vencerão sorrisos, caras de competência, vínculo afetivo com o cidadão (título figurativo), apertos de mão pré-eleitorais, e pouco, muito pouco a dizer. Novas ferramentas, adesão ao mundo virtual, regramentos e jargões nos dizem, assim como a mantida poluição visual, que não há nada de novo, infelizmente.

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