
Da tristeza
dezembro 15, 2010Queria apenas um veneno, um líquido viscoso para engasgar a dor, enquanto soluçavam a garganta, a língua e os dedos trêmulos. Queria um motivo para findar a tristeza, que, ela tão sem motivo, tomara-a de tal forma que agora a levava no colo, como a um pássaro doente. Queria, e não sabia se queria, negar os olhos baços, a boca seca, o corpo cansado. A alma inerte, parece morta, parece alva, parece velha e cheia de anéis. Parece triste, como nunca outrora, e já deixa que lhe comam vermes famintos, e já está plena de asco. E a dor, tão grande que não cabia, não sabia donde vinha, não sabia, e doía a ignorância, e doía a pena, a conservação e o calor. E doía a denúncia, a condolência, o fardo e o castigo de ser dor sem ideia, sem trejeito, sem qualquer lembrança. E aos poucos dormia, e em sonho era só o que fazia, e chorava um choro túrgido e vago, uma lágrima seca que lhe perfurava o fundo dos olhos.
Nossa! realmente muito bonito, triste e comovente, só de ler, já sentimos no peito vontade de ajudar.
Fê tu é inacreditávelmente habilidosa com as palavras, eu sempre brinco quando falam dos meus erros de portugues “a obrigação de um escriotr não é saber onde colocar as letras, mas sim saber colocar sentimento em qualquer palavra” e isso tu com certeza faz muito bem