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Coisas da minha cabeça

maio 23, 2011

Coleciono bobagens, ninguém as lê. Sequer prestam-lhe as menores atenções. Quando então eu disser as piores delas, e ferir, magoar, romper os fios que nos ligam, direi que é tua a razão, e que tu és a razão. E que eu tenho dito tanta bobagem, tanto medo em palavras, cuspindo bobagens, roubando bobagens. Eu tenho estado tão triste, que em mim só transpiram torpezas, e só caem frutas de galhos tão altos, que ao chão se fazem podres. Eu queria sentir, e de vontades me faço ausente. Eu quero tremer, sorrir, amar, como se tivesse que costurar-me a alguma dessas coisas, para provar que sou real, e não só um pedaço de alguma dessas coisas estúpidas que fogem da minha boca.

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