Archive for junho \25\UTC 2009

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Para escrever

junho 25, 2009

Se tu queres que te digam
Outros poetas o que pensas
Poemas escreve também os teus:
É bem mais fácil entendermos os outros
Depois que entendemos nós mesmos.

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Retrospecto

junho 23, 2009

Escrito numa noite de terça-feira do primeiro semestre de 2008. Primeira incursão em uma monocromática forma de escrita. (Àqueles que quiserem prestar atenção gramática, detenham-se no acento de conseqüente. Sim, sou uma teimosa)

Fiquei surpreso com o que o diretor falou. Era tão assustador e ao mesmo tempo tão conseqüente o que tinha acabado por acontecer. Nós conhecíamos o espírito inquieto dele: sua revolta, seu desprezo, a raiva incontida de tudo aquilo que não fazia parte da vida que levava. Mas o choque, mesmo assim, perpetrou-me a alma, desvanecendo-me dos sentidos, permitindo que um frio mórbido encontrasse em mim abrigo. A alma é um grande mistério. Eu, que outrora chorara por vê-lo ali, com seus olhos quase infantis implorando para que entendesse o ódio que sentia dos pobres tolos que nem o veriam, agora chorava por não encontrar aquela constrastante figura naquele plácido lugar. Era apenas porque magoava-me minha própria ignorância. Minha estupidez por não ter percebido que ele, em seus arroubos de ira, queria pedir socorro por desconhecer a si mesmo. E que, por odiar sua estranha figura, decidira não permitir que a tolice humana merecesse também tal sentimento.

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Alheio

junho 11, 2009

“Oh! Bendito o que semeia
Livros… livros a mão cheia…
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É germen – que faz a palma
É chuva – que faz o mar.”

Castro Alves

Espero que o discurso obtenha sucesso. Desejem-me sorte!

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Sub(ob)jetivo

junho 10, 2009

Ao sabor das paixões vis
Tu estarás atado
Sapiens, tu vês
Encontro-me no escuro

Só agora sei da luz
E pressinto tua essência
Sempre mais perto e mais forte
Sufocando devaneios

Ao sabor da razão louca
Vês o caminho traçado
Os passos borram as linhas
E tens de reatar a volta

Antes que o cinza da massa esmoreça
Antes que faleça a emoção dos teus olhos

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Da léxica do título

junho 8, 2009

Antes que me esqueça, peço perdão. Este nome no ar, assim sem mais, veio a calhar sem maiores explicações. Como outrora, o sentido parcial está em Machado de Assis, especificamente em Dom Casmurro. Uma passagem do livro compara a vida a uma ópera. No entanto, por que não referi-la como um soneto?

Há muito que a poesia penetra fundo na alma humana, traduzindo e decodificando os mais peculiares sentimentos. E sonetos, há os belos aos borbotões, e também os feios, menos sonoros, mas não menos reais.

Bentinho, a certa feita do livro, cita um soneto que nunca escreveu. Penso que o fez; mais que isso, emendou-o mil vezes, o que fez da obra poema único. Talvez, para o Dom Casmurro, as emendas não prescreveram crescimento. Mas outras o possibilitam e é a essas que me refiro: as mudanças movem a existência, pois fazem com que vejamos o quão melhores podemos ser. Onde está a graça de um soneto que nasce envolto em perfeição e portanto não requer qualquer esforço? Mudemos! Busquemos o melhor soneto, antes que nossos leitores acostumem-se aos poemas fracos.

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Desvio padrão

junho 8, 2009

Em alguns momentos, eu escolho a alienação. Marx sabia que, independentemente do nosso esforço, nos alienaríamos de alguma forma – ora, só sabemos que nada sabemos! Sendo assim, é um direito, quiçá um dever. E uma opção inexorável. Eu optei pela alienação parcial: não dispendo mais do que cinco horas semanais diante da televisão e nem sempre sei, neste mundo onde sangra deliberadamente tudo o que dói, o que matou o que – a mutação do hediondo em banal não me permite dizer quem.

Recentemente, assisti à “Pílula de Vatapá”, peça de Júlio Conte, cuja contextualização conta com as locuções da Rádio Desespero, 24 horas com você. Uma boa lição de como construímos laços pelos quais nos tornamos responsáveis, mesmo que não cativemos, ainda que o diga Saint Exupéry. Além disso, uma hipótese derradeira para o mito do eterno retorno (Nietzsche). E o principal, quando se aproxima o fim do espetáculo: a sugestão de desligarmo-nos temporariamente da Rádio Desespero. Há tanto a perceber entre asfaltos, luminosos, placas e mortos, que sem notar pisamos nas flores que nascem no caminho.

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Eis-me aqui, enfim.

junho 6, 2009

Começos… quantos não são que surgem graças ao fim? O meu é assim: fim da procrastinação. Há muito tenho estado por escrever onde as pessoas pudessem ler, mas acabo por encontrar justificativas e não fazê-lo. Desculpas, encontramos o tempo todo. Agora, peço desculpas aos impedimentos forjados ou irrelevantes, levanto-me e, pronto!, escreverei. Talvez não haja tanta constância como eu gostaria, mas é hora de proibir aos detalhes que impeçam a continuidade. Se os pequenos fragmentos bastarem para que nos atenhamos a eles, que será de nós? Aquele que não percebe o mundo, tampouco percebe a si mesmo.