Archive for abril \11\UTC 2010

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Das criações

abril 11, 2010

Eu crio, criamos todos, e que bom se fosse assim, simplesmente. A criação é nossa extensão, expressão máxima da humanidade cabível ao ser. A criação é uma denúncia, pois desvenda em suas matizes, tal qual a casca de uma cebola, realidades ou traços diferentes. Nossas feições transcendem, libertam-se do corpo e, a espiar a luz detrás das cabeças na sombra, conclamam sua existência que, na inquietude das nossas ideias, nem notamos.

Quando pequena, eu sonhava ser detetive. Depois, num lampejo, percebi que me afeiçôo a toda e qualquer possibilidade de investigação humana: Sociologia, História, Filosofia, Política, Psicologia. Psiquiatria forense? Acho ótimo. Eu, nessa minha frequente frieza, sou toda apegada a esses serezinhos cruéis, maquiavélicos e egoístas que chamamos nós. Quero inquiri-los de forma doce, a ver o que os estimula, o que os retrai, para quem torcem ou diante do que suas interessadas pupilas se dilatam. E cada esforço criador é um conglomerado, uma conurbação de referências, que merece ser observado com atenção, sem cutucões ou violência, mas com a curiosidade das primeiras vezes.

Só queria dizer que temos estado distantes da arte e das essências que se escondem detrás de embalagens coloridas. Não criando nem para nosso próprio contento, quem dirá que ouviremos os rumores simpáticos, ou ressabiados, ou perturbados, ou extasiados das criações alheias?

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Se chama medo ou expectativa?

abril 4, 2010

De distraído que pareceu ao chegar, passou a afligir-me o estômago um medo singelo e engraçado. Engraçado por não ser medo que dói, temor das tontas vias as quais se anunciam e às vezes encobrem nossas razões e afogam-nos. Um medo bom, se é que é possível, e já que dizem que medo é prudência, às vezes. A situação é que se agiganta quando percebo que não é assim tão efêmera quanto recolher escova, pasta de dente e as roupas pra passar o final de semana na praia. É um passo enorme: preciso me apoiar no corrimão da escada, e desejo que não esteja escorregadio. É preciso estar firme aqui ou lá, presente na minha própria decisão, atenta aos meus sinais, aos que devo refutar e aos que me aconselham. Engulhos, engulhos me engolem; preciso de água. Estranho é estar feliz apesar do medo. Mais estranho é ver a vida acontecendo dentro de mim, sem estar assistindo às novelas alheias. E o medo me faz sentir um pouco segura, quem sabe. Porque por mim apaixonou-se outrora, e eu soube dar-lhe um chute certeiro para longe, donde o aviste sem medo.