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Esquecimento

dezembro 20, 2010

Escrevo mais quando estou triste. O lápis flui leve, que minha força se desvanece com a alegria, que meus dedos não querem falar, e estão soltos, e estão túrgidos e sofrem, e se querem ver distantes quanto mais rápido que seja do grafite que os arranha. É quando digo as coisas mais bonitas, e me dói particularmente a tristeza que não me deixa escrever, uma tristeza seca, descrente, que perambula num estágio lisérgico entre vida e morte e quer apenas se deixar dormir e morrer. A tristeza tem sido assim, e é desesperador que não faça nascer poemas, que são a dor derramada, deixando momentaneamente o corpo e marcando o papel como agulha, como uma seringa fazendo verter as letras, despejando-as e aliviando as lágrimas que incham os olhos sem cair. Essa é a tristeza mais velha, iníqua, vetusta sobrancelha erigida em dúvida, que sequer pergunta, sequer se alimenta, e tão somente vive de expandir-se. Essa que machuca minhas ideias, eu que só queria poemas de tristeza bela, da que abençoa e concerne aos bons poetas, os que conseguem fingir a própria dor.

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One comment

  1. a beleza da maldita tristeza inspiradora!



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