Archive for janeiro \11\UTC 2011

h1

Um texto, um murro, e qual é a diferença?

janeiro 11, 2011

Emendas ao verso, foi o que ele sugeriu? Não sei. Já não lembro. Mas era para ser alguém que se parecesse comigo, e daí a pensar em quanto isso pode ser assustador, um pulo. Há, na mesma cidade onde nasci, uma homônima. A uma artista argentina acrescenta-se apenas o Maria, precedendo o Fernanda. Nos olhos dele, tudo se parecia. Dele, de outro. E ela dizia que éramos amigas porque éramos assim simplesmente quase iguais. Eu gosto de estar com pessoas que se pareçam comigo. Paradoxo, pois nem sempre gosto de fazer-me companhia. Eu gosto de ver o sorriso da concordância, aquele que diz “é mesmo? Achei que ninguém pensasse como eu”. Ainda estou por aprender com as divergências, pois na minha pacata filosofia da tolerância, descobri que esse tempo todo estive passando, apenas, pela diferença. Eu só a via, acenava, e nunca alonguei diálogos. E pra findar o dia, me fizeram pensar. Pensar. Pensar. Até que, como não tem sido difícil nos tempos do “E agora?”, vieram as gotas salgadas. Eu tentei a todo custo apará-las dentro dos olhos. Mas se parecem comigo. Teimosas. Eu tentei dizer, como sempre digo, que não é possível. Otimista que sempre achei que fosse, descubro a cada dia que minha característica mais fascinante (o que não diz dela que é boa. Pode ser fantástica e triste, uma soma) é fazer valer para todo o mundo o que em mim bate, e volta. Acabei rindo, fui dormir com as lágrimas secas. Mas quem sabe? Quem sabe seja isso mesmo, e elas tenham razão. Não prometo nada. Mas talvez eu mude, pra variar. E dessa vez, como nunca outrora, eu peço que não haja decepção. Não agora, por favor: estou mudando por ti.

Anúncios