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Melhor desconsiderar

fevereiro 25, 2012

Eu tenho achados tão chatos os escritos de amor. Repetindo sempre as alternâncias, dicotomias do sentimento que não se explica. Sequer eu creio que o amor seja assim um vinho puro, a metáfora das delícias dessa terra. Sequer eu sei se acredito no amor, em suas letras gastas e hipérboles confessas. Eu, na perturbação imensa do meu desespero túrgido, deixando escapar uma lágrima por vez de um orifício pequeno num invólucro imenso, sei que devo estar errada. Digo isso pra que não encontrem estímulo os demais resignados, estimulados assim a achar que é verdade, e que nenhuma dessas palavras tolas faz mesmo o menor sentido. Mas só se prova o amor das pessoas. Há quem fale nos animais, nas plantas, nos amores desmedidos desencontrados debaixo das teclas, das palavras, dos sons. Nenhum deles fala por si só: são conjecturas.

Mas o amor das pessoas? Nem mesmo temem a mágoa, a decepção, a dor que provocam no outro, essas ignóbeis criaturas. Não acredito nas pessoas (estou nessa tarefa há tempos, e ainda me faltam muitos dias até que possa dizer absolutamente). Só lhes falta tempo até que surjam com a verdade malévola dos seus olhos cínicos, deixando claras suas intenções ruins. E como vou acreditar no amor, se no mais das vezes as criaturas só entopem de palavras os espaços por onde poderiam deixar escapar o que de honesto há nelas? No fim, o amor é apenas um termo polissêmico dos nossos afetos, que nem afetos o serão se houver coisa melhor com que ocupar o tempo.

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