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Sobre política e minhas aulas de História

novembro 7, 2014

Não tive muitos bons professores de História. Lembro do prof. Osvaldo, da quinta série, com quem eu discutia a política e o PT – devia ser uma chata, falando de muitas coisas que não sabia, mas era uma época feliz, em que eu chamava todo mundo de quem eu não gostava de neoliberal – e a prof. Angélica, que me deu aula na sétima ou oitava série. Dela gostava porque seu discurso não era maniqueísta, e porque ao que me lembre ela nunca desviou a narrativa da aula para críticas preconceituosas sobre o Lula (a pessoa Lula, e não o político Lula ou o PT – portanto, estou falando de crítica moral e inadequada ao ambiente), sobre as cotas, sobre os nordestinos. É, porque em algum momento presenciei esse tipo de discurso NA SALA DE AULA. De uma professora em particular, que gostava desse modelo de “crítica”, entretanto, também me lembro, e me lembro perfeitamente de um diagrama rudimentar que ela nos fez copiar no caderno, e que diferenciava de forma rasa e didática os sistemas político-econômicos. Estavam ali COMUNISMO, CAPITALISMO, SOCIALISMO, separados por colunas. As linhas correspondiam a tópicos em que se diferenciavam: forma de governo e modelo econômico, por exemplo. Não lembro de nenhum outro diagrama daquele tipo, em que aparecesse bolivarianismo, chavismo ou (em clima de TCC) sandinismo. Eu nunca estudei Bolívar ou a Venezuela na escola. Nem Peru, nem Bolívia, nem Chile, nem povos e movimentos ameríndios após a “descoberta do Brasil”. Meu conhecimento desconhecia a América Latina e meus professores de espanhol em geral também eram ruins. Eu não precisava conhecer a periferia do capitalismo, né gente? Quem precisa? Mas de tudo isso, ficou uma coisa. Aquele diagrama prestou-me um serviço, pois me indicou as mais simplórias diferenças entre os sistemas. E hoje, num ponto da minha vida em que vislumbro a possibilidade de dar aula (e não sem alegria), acredito que não deixaria faltar essa consciência aos estudantes. Ainda que ela falte a muita gente, que compara bolivarianismo com socialismo, comunismo com nazismo e capitalismo com paraíso (poxa, devia ter escrito paraísmo), espero que no futuro saibamos todos diferenciar as coisas. Porque já chega de bagunça conceitual, afinal de contas.

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